03.01.15
São Paulo, querido não identificado,
Oi... Faz um tempo que não conversamos... Acho que o maior tempo que já passamos afastados. Sinto sua falta. Falta de muitas e muitas coisas. Faltas das nossas conversas. Ora com sentido, ora sem. Sinto falta do seu toque, e dos seu inúmeros perfumes.
Lembra-se do inverno? Nem é tão frio assim, aqui no Brasil, mas alguém não largava o cachecol. Alias vários deles... Uma vez tive coragem de tomar seu cachecol, e passei o dia com ele no pescoço... O cheiro do seu perfume nele era extremamente viciante.
Lembro que uma vez, que a classe inteira estava na sala de leitura, você me chamou para sentar do seu lado, bem, no caso deitar. Foi tão bom... Dividimos o fone, e ouvimos uma versão feminina de uma das músicas do Justin Bieber, naquela vez, não sei se foi para me agradar ou só por que você quis dizer, você comentou "Muitos tem inveja dele, mas ele tem até talento.", respondi: "Você não existe" e ri. Ainda acredito que você me confessou aquilo só para me deixar feliz. Naquele dia você desenhou um coelhinho muito fofo no seu caderno. Fiquei louca por ele, mas você não me deu... Bom, no fim do ano você acabou me dando o desenho, que eu tenho ainda guardado na minha pasta.
Eu guardei aquele dia com muito carinho... Gosto de relembrar momentos simples assim... São tão importantes.
Ah, e no começo do ano? um pouco antes? Láaaa na época do carnaval? Alguém se sujou todo com o meu batom rosa doze horas e só então lembrou que era alérgico, acabei sujando toda a minha toalha de batom tirando do seu rosto. Foi engraçado, você ficou todo sem graça com a atenção que eu estava dando. Até hoje não sei porque o motivo.
Uma vez, quando estávamos na sala, em um trabalho de português, você me contou sobre a garota que estava gostando... Eu sorri para você e disse "ah, então você é humano", mas por dentro senti um aperto no peito, uma sensação estranha de vazio, e eu nem sabia, ou melhor, nem tinha chegado perto de admitir que gostava de ti. Deu um nó gigante na garganta, e u quase chorei. Mas, na época eu pensei: "Chorar porque?", para mim ainda não tinha motivo concreto... Hoje eu sei porque. Segurei tudo que eu senti na hora quieta, disfarçando com sorrisos e brincando com você.
Vou te confessar algo, quando descobri o que sentia por você, entrei em desespero. Não dormi durante dias. E tratei de me afastar o mais rápido possível, Era tanta coisa no caminho... Primeiro tinha a "C", minha melhor amiga, apaixonada por ti... e tinha também a "G",que era dez vezes mais próxima de você do que eu, e a "L", e também a garota que você era vidrado... Eu definitivamente não podia ficar por perto, então eu fui para bem longe. Um mês? Ou mais? Não consigo lembrar... Mas eu fugi... As férias do meio do ano chegaram, e conversamos pouco...
Mas alguém perguntou " E você? Gosta de quem?"
Eu insisti que nem louca que não gostava de ninguém... E você disse o que? "De mim?"
Neguei. Mas você é bem argumentativo... Okay, eu falei, com todas as letras... Mas... Você era incapaz de sentir o mesmo, e eu passei o restante das ferias morrendo de vergonha. Voltamos a escola,.. Não demorou muito, resolvi me envolver com outra pessoa, o último esforço de tentar te esquecer. E até que estava funcionando bem... Eu realmente me envolvi com ele, eu realmente estava feliz, eu realmente tinha conseguido jogar tudo que eu sentia por você lá para o fundinho do meu ser.
Só que nada na minha vida dura muito, a paz acabou, rápido demais, tudo acabou em um piscar de olhos, sem explicação, e só ficou mais uma ferida, mais uma cicatriz... E você voltou, me deu apoio de amigo... E então nos aproximamos, como amigos claro. Conheci a "G", e simplesmente me encantei pela amizade dela... Ela gostava muito, muito mesmo de você, e eu fiquei de longe, observando a felicidade, me dediquei a escrever um livro sobre a historia de vocês (Livro que eu não consigo mais abrir para ler), e torci como louca para que vocês ficassem juntos, éramos um trio. Tínhamos um juramento solene. Era divertido. Real. E mais que o suficiente, porque eu podia dizer "Ele é MEU melhor amigo", e me vangloriar por que te conhecia bem mais do que as outras pessoas... Só que, você se afastou. Dela, de mim, e o trio se desfez. Machucou. Doeu tanto vê
-la chorar, me lembrou das minhas próprias dores, da dor da "C", que passou pelo mesmo, meses antes... E simplesmente me deu raiva. Raiva de que você sempre fugia de uma relação concreta. Raiva do fato de que você machucou duas das minhas melhores amigas, raiva do que eu ainda sentia por você, enfim raiva por que não importava o tempo que passava, nada em você ou em mim mudava. E isso era complicadamente irritante.
Dia 01 de setembro chegou,e você levou um banho de aguá gelada. Ela seguiu com a vida dela, encontrou outra cara, um anjo, que aos pouquinhos foi a conquistando. E olha, eles estão muito felizes hoje. Lembro da sua expressão confusa quando soube da história. Fiquei louca de vontade de conversar com você, mas não o fiz. Deixei que a parede de gelo entre nós me impedisse de me aproximar novamente. E funcionou, durante um pequeno período.
Só que ai você acordou para a vida... E nosso trio foi refeito, no fim parecia tudo perfeito. Mas tudo que eu sentia por você voltou, rapidamente. duas, tres vezes mais. E não dava mais para fugir, e fingir que estava tudo bem. Não dava mais para correr, e desistir antes de tentar... Simplesmente não conseguia... Então eu tentei. Eu avancei, aos poucos, consegui meu espaço, e fui abrindo caminho para chegar em você. Muitos brigas vieram, muitas mesmo. Mas até te ensinar a pedir desculpas eu ensinei. Foi difícil chegar em você, senhor "ego maior que o mundo", esse seu jeito superior, me enche a paciência, mas eu não posso reclamar, por que também tenho um orgulho enorme, e um ego maior que eu mesma.
A questão aqui, é que eu consegui. .Você me beijou. Posso ter ido ao céu naquele dia, ou chegado bem próxima disso. Estava tão feliz, mas tão feliz, que não conseguia demonstrar. Fiquei extremamente quieta, calada, não pirei. Não dava. Tive um terrível medo, de que no momento que eu passe a pirar, que a ficha caísse, a felicidade ia escapar pelos meus dedos... A L.M quase pirou quando me viu quieta demais, eu não sabia o quão certa estava em ficar calada... No meio do caminho algo deu errado, e a felicidade virou areia que vazou entre meus dedos, sem deixar nem um grão.
Não sei até hoje o porque, mas tudo acabou. Assim, rápido. Você fez igualzinho o "H", sem tirar nem por, talvez até pior... Não, Bem pior, porque a você eu depositei dias lutando, lágrimas, e toda paciência e esperança que eu tinha. Você se tornou importante de uma forma inexplicável,,,
Então veio uma briga, você se afastou, não cumpriu com o que disse... Não me deu a chance de uma despedida, um abraço, um toque de adeus, tudo pelo o que passamos, um ano todinho, jogado no lixo, simplesmente ignorado... Como doeu, como eu morri. Parecia um zumbi me arrastando... Sofrendo, chorando o tempo todo. Foi e é, o pior período da minha vida, pelo menos por agora. É tudo meio vazio, sem sentido.
Falta tanto, tanta coisa, falta muito. E esse mundo tem nome, é você.
Lembro quando ficávamos medindo as mãos, lembro que você era meu porto seguro, lembro da primeira vez que você deitou no meu colo, lembro que odiava que eu bagunçasse seu cabelo, mas eu sempre bagunçava mesmo. Lembro quando você vinha me abraçar quando eu estava furiosa contigo, e lembro de quando chegava muito atrasada (mais do que o normal), e você vinha: "Oiiii. Você veioo!", e me abraçava, e eu tentava disfarçar a vergonha e sorriso besta que brotava no meu rosto com simples gestos seus.
Minhas amigas riam tanto de mim. Estou tão completamente apaixonada por você... Só que nunca mais vou te ver, e se ver nunca será a mesma coisa... Nós nos perdemos. Para sempre. Não tem volta, eu tenho de aceitar isso... Só não sei como. Agora mesmo, estou escrevendo uma carta, um texto enorme, que eu sei que você nunca vai ler, porque eu nunca vou mostra-lo para você...
Enfim, meu querido indefinido, eu só queria te lembrar que sinto sua falta, que ainda espero como louca que você me mande uma mensagem, que ainda quero conversar contigo, por mais que doa, e que quero que você insista no que restou da nossa antiga amizade... Por que eu te amo demais... Mas não dá pra partir tudo de mim. Não adianta só eu tentar... Quando o último a me magoar foi você.
Eu Te Amo. Com todo o sentido, poder, significado da frase.
Eu amo você. E sinto sua falta enlouquecedoramente.
Era isso. Boa noite... Tchau
Ass: R.T
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