A menina estava sentada, na grama.
Pensativa.
Os olhos vermelhos, com lagrimas escorrendo livremente pelo rosto angelical.
Oh. Pobre criança. Perdeste tudo na vida.
Seu cabelo dourado como ouro, reluzia ao mais pálido sol.
Sua pele branca, passava o aspecto de doente.
Seus dedos delicados, sujos de terra.
A boca tremia...
Oh. Pobre alma. Tão jovem, com tamanha dor.
Quando pequena, foi arrancada bruscamente de sua mãe,
Presenciou seu pai ser morto aos seus olhos,
largada por conta própria.
Cresceu sozinha.
Quando já não havia mais esperança,
seus olhos azuis encontram um anjo.
Um excelente rapaz,
Cuida da pobre menina,
Casa-se com ela.
Oh. Deus. Nunca houve tamanha felicidade como a deles.
Nunca um casal amou-se tanto.
Mas, ah... A guerra chegou.
Levando seu marido para a batalha.
Tão desolada ficou a jovem alma.
Seus cabelos grudavam a seu pequeno rosto.
Implorou, oh, como implorou para que ele não fosse.
Mas tinha que ir. Era a lei. Era a honra.
Em meio aos soluços se despediram.
O Marido abaixou-se e beijou levemente o ventre de sua amada.
Onde a mesma carregava sua prole.
Foi-se embora com a promessa de que voltaria para ela.
E ela esperou. Meses.
Quando a noticia chegou.
Morto.
Oh! Céus! Como pudeste ser tão cruel?
Como pudeste, tirar tudo de uma pobre alma que tinha tão pouco?
Como pode isso ser justo?
Tão frágil se tornou. O que faria ela? Como viver sem seu amado?
Amaldiçoou todos os santos, anjos, e deuses que conhecia.
Gritava a pleno pulmões.
Por que tudo era tão injusto?
Porque nada era fácil para ela?
Como fazer essa dor alucinante parar?
Agora estava ela, sentada na grama, cansada de gritar e espernear.
Nem mesmo prenha, com a barriga enorme, deixava de ser bela.
Não sabia o que fazer. A vontade ligeira de morrer e se encontrar com o seu amado.
Segurou firme o veneno em mãos, preparando-se para passar pelo mundo dos mortos.
Quando... Algo pequeno chuto-a.
Confusão passou por seus olhos azuis céu.
Outro chute.
A mão parou instintivamente sobre a barriga.
O bebê chutava. Gritava pela vida. Pela chance de vir ao mundo.
Os olhos da jovem mulher encheu-se de lagrimas novamente.
Por um minuto tinha-se esquecido que era mãe.
Que tinha a linhagem de seu amado dentro de si.
Como podia pensar em matar-se, se isso mataria seu filho também?
Oh. Foi uma benção dos céus. Obra divina.
A tão doce alma, levantou-se. Protegendo a barriga com as mãos.
Custasse o que custasse, ela sobreviveria.
Não estava mais sem nada.
Ela ainda tinha algo pelo o qual lutar.
Pelo o qual viver.
Seu filho. E filho de seu amado marido.
E esse sim, iria viver.
Teria uma chance.
Agora não era mais frágil, tinha que ser forte, como uma leoa.
Devia isso ao seu marido.
E marchando em direção a casa, a pobre alma se foi. Pronta para enfrentar seu destino.
Ass: R.T
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