quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Só mais um dos meus desabafos.

São Paulo 02 de Setembro de 2015.
Querida L.M,
Hoje foi um dia que eu chorei. Muito mesmo. Daquele tipo de choro, que você não consegue parar de soluçar até por tudo para fora. Mas sabe de uma coisa? Eu precisava disso. Precisa por para fora isso tudo. E o “tudo” era o que eu estava guardando até agora, o que eu não conseguia parar de pensar, e não queria demonstrar. Acho que eu chorei por todo esse tempo que eu segurei cada gota de lágrima e coloquei um sorriso no rosto, ou por tudo o que vi e senti. E poxa vida, era dor e mágoa demais.
Dessa vez o meu orgulho perdeu para meu desespero. Não foi fácil, nunca é. Chorar me deixa fraca, e vulnerável, mas dessa vez foi muito necessário, mesmo. Não dava mais para guardar tudo dentro do meu coração quebrado. Mesmo porque ele tem muitas goteiras. Pelo menos eu tive apoio. E agradeço a ti para sempre L.M, por que eu pude me expor sem vergonha pelo menos ali.
É difícil chorar, pelo menos para mim. Muito mesmo, mas a barra estava mesmo muito pesada, e sinceramente eu não tinha outra solução. Caramba, grande parte do meu choro foi por saudade, saudade de tudo o que perdi, tudo que sofri. Sinceramente? Eu quero arrancar aquele otário da minha cabeça, do meu coração. Mas, Lili eu não estou tendo muito progresso... Acho que você notou pelo meu desespero...
Hoje provavelmente foi a gota d’água do meu dilúvio pessoal. Doeu mais do que eu achei possível, é incrível como pequenas coisas te machucam de um jeito maluco. Hoje foi uma coisa minúscula que desencadeou toda a dor em mim, alguns comentários, e um olhar perdido no rosto de uma pessoa que é a maior pedra no meu sapato, a maior ferida no meu coração e também o maior motivo das minhas aflições desse último um ano e meio. Aquele olhar dele, cortou cada partezinha de mim de novo e de novo, até eu sufocar em lágrimas.
Mas peço que não se preocupe Lili, nem se descabele, eu juro que estou melhor, longe dos 100%  mas uma hora eu chego lá. É só que é tão complicado. Tão dolorido. Eu quero o impossível sabe? Eu quero-o de volta, mas não quero ter que ir, quero que ele venha. Quero que dessa vez eu seja grande parte da vida dele, e não só uma pessoa a mais. Eu quero saber mais sobre ele, sobre o passado dele, sobre toda essa bagagem Mãe - biológica - adotiva - madrasta que ele leva nas costas. Eu quero alivia-lo disso e quero que ele saiba dos meus problemas em casa também. Eu... Ai L.M... Só não sei o que fazer.
De qualquer jeito muito obrigada por hoje meu anjo, me ajudou muito mesmo. Obrigada.


Com amor, 
R.T

3 comentários:

  1. Quão pura parece ser esta relação. Neste misto de confiança e aconchego. Mas diga à sua alma, que em momentos de tormenta existe um outro ombro onde podes chorar.

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  2. Quão pura parece ser esta relação. Neste misto de confiança e aconchego. Mas diga à sua alma, que em momentos de tormenta existe um outro ombro onde podes chorar.

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