quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Eu não sou de obrigar


Eu nunca fui de obrigar, de fazer ficar. De forçar. As pessoas são ventos, que vem e vão na hora que querem, quando quiserem. Eu não. Eu sou terra. Sou de ficar , de aguardar, de esperar.
Mas nem todos são assim, tem gente que é igual areia, escorre pelos seus dedos e some no ar, sem você nem ao menos esperar.
As pessoas são assim, são ar, vão embora quando da, e eu não forço ninguém a ficar. Nunca fui de forçar, passarinho quando quer voar, tem que ir, não adianta prender em gaiola, é crueldade, é maldade.
Tem gente que é igual o fogo, vem, faz sua alegria e se apaga quando bem entende, e pessoas como a água, sempre fluidas, sempre correndo, sempre mudando. Vários e vários estados, nenhum se prende, nenhum se agarra a lugar algum.
Quem consegue pegar água com uma peneira?
Prender nunca deu certo nem no amor, a prisão faz o sentimento acabar e quando você  ver ele quer ir embora, quer fugir de você, buscar sua liberdade.
O mesmo vale para a amizade, essa conexão tão forte e intensa com alguém, muitas vezes pode machucar. Por que nem todos vão ficar.
Mas eu sou terra. Não sou fogo, não sou ar, não sou água, sou terra! Firme, fixa. Não sei fluir, não sei ir embora , todas uma hora vão partir, eu não. Eu fico, de braços abertos esperando o retorno .
Eu sou terra, nasci pra cuidar, para dar amor , ninar. Existo para cultivar, presa nas minhas raízes com tanta força que é impossível me soltar.
Meu coração aberto espera mais um vento soprar de novo o seu olá, ou o fogo vir brincar, espera até mesmo a água resolver passar novamente. E espere, com tanta força que é difícil de acreditar.
E é isso que me resta, aguardar e chorar . Porquê eu não sou de forçar a ficar, eu deixo ir , deixo a pessoa se levar para longe, aguardando o retorno... não obrigo ninguém a ficar, permanece se quiser , para comigo compartilhar aquele momento, aquele sentimento.
Porque a vida nada mais é do que isso, um encontro de almas que vivem um momento que pode durar um segundo ou toda a vida.
Mas daqui eu não expulso ninguém, vai sozinho, com as próprias forças, e eu aguardo - o de volta, de braços estendidos, sem reclamar, sem julgar. Só sei amar.
E viver sofrendo, por cada pessoa que passa e parte levando um pedacinho do meu coração difícil de curar, difícil de cicatrizar.
Sou terra, só me resta aguardar e chorar.

Ass: Rafaela Maciel (R.T)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Pedido impossível

Sabe pai , eu já fui sua princesinha. A garotinha dos teus sonhos. A menina que chegava gritando "papai" e falava pelos cotovelos.
Pra ti eu já fui a garota mais linda do mundo e a mais talentosa , aquela que sabe , da gosto de ir na reunião de escola. Já fui teu maior sonho.
Mas eu cresci. Eu não sou mais uma menininha que você penteia o cabelo e me obriga a deixar do seu jeito. Não sou mais uma garotinha que chega gritando e pedindo atenção. Eu sou mulher agora pai. Em todos os sentidos . E eu sei que isso não entra na sua cabeça. Eu sei que você não aceita. Mas não sou mais criança.
Eu sou adulta.
Sou mulher.
Eu deixei de ser teu sonho... Criei os meus próprios e deixei de te obedecer cegamente , tenho meus princípios , minha ideologia e opinião forte que formei com sua ajuda sim , mas sozinha também. Em grande parte.
Sou mulher agora , eu quero tanto respeito , como o quanto você acredita que sou obrigada a dar. Respeito pelas minhas escolhas , pela a minha vida.
Agradeço , pela a vida que vocês dois ( pais) me deram , agradeço pelos meus pulmões e meu coração , agradeço cada traço genético , da qualidade ao defeito que herdei dos dois. Mas eu cresci. E cresci muito bem crescida . E eu quero ser dona de mim, da minha vida!
Estamos entrando em muita divergência ultimamente , você não me entende e eu não o entendo , em aspecto algum. Seu pensamento vai de um jeito e o meu de outro... A verdade é que estou infeliz aqui. Nunca estive tão infeliz em casa antes , tão solitária e deslocada. Nem sinto que essa é mais minha casa! Será que você não notou isso? No meu silêncio? Nas horas trancada no quarto? Na falta de risada ? De fala? Você não notou meu grito desesperado por alívio? Eu quero ir embora pai. Eu quero me achar. Porque aqui não é mais meu lugar. Não mais.
E o pior , eu tenho medo de você , muito medo. Meu corpo trava com pavor da sua reação, eu não suporto que você sinta tanta decepção por mim assim. Logo por mim, que sempre fiz de tudo pra te agradar, para fazer teus gostos. Tenho medo de conversar com você, ouvir o que não gosto e guardar mais e mais essa mágoa dentro de mim , que só aumenta e me destrói. Tenho medo da sua reação exagerada e implicante, com essa tua mente fechada para apenas os seus interesses, para apenas o que você acha que é certo, sem entender o certo do outro.
A verdade é que não estamos mais convivendo , só debatendo , só entrando em conflito. E eu não aguento mais isso. As vezes me bate uma culpa tão grande, um desespero por ser uma filha tão ingrata , mas logo depois tento me apegar nas minhas convicções , tento superar todos esses problemas que surgem em meu coração. Quantas vezes quis falar algo e perdi a coragem?  Quantas discussões importantes eu não consegui levar, porque apenas chorava? O pavor me toma nesses momentos e eu perco a voz.  Quando vejo estou chorando sem saída.
Não tenho voz nessa casa, não tenho paz e não me sinto parte daqui. Estou deslocada, e é um sentimento que me persegue 24 horas por dia , é uma sensação tão horrível que chega a dificultar a respiração. Por favor pare de podar minhas asas, deixe me voar , deixe me escolher o que eu quero agora, por mim mesma , só. Deixe me viver.

Ass: R.T

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Meu vazio

Sabe quando você está triste? Mas triste pra valer, aí bate um desânimo, e várias ideias erradas na sua cabeça, você cria algumas paranóias e fica pensando : " será que está certo? Será que eu estou mesmo fazendo o certo? Essa sou eu mesma?"
É... Eu não sei bem o que fazer, não sei bem o que pensar, estou preocupada com tudo que está acontecendo, com a pessoa que estou me tornando. Abrindo mão de tantas coisas, querendo tantas outras e não conseguindo, com vontade de ficar na cama pra sempre, e tão tão triste.
O que estou fazendo de errado? Em que parte que eu me perdi assim? Deixei de ser eu mesma? Não sei. Só aconteceu.  Quando fui dar por mim , perdi o ânimo, me entreguei a paz da minha cama, do meu quarto e fiquei. E então notei, que as pequenas coisas estão me ferindo demais, e mesmo quando fere eu fico sozinha com isso entalado na garganta, guardando pra mim mesma, e eu sei que prometi que não faria mais isso. Mas eu não aguento mais essas brigas, essa sensação. Tenho medo do que pode acontecer, medo de perder a única coisa que ainda me dá vontade de tentar ser eu mesma.
Estou me acabando, aos pouquinhos, gritando em silêncio, e ninguém nota, ninguém sabe. Desespero me assola sempre , e eu fico com medo, de tudo, o tempo todo. Medo da minha própria incapacidade de viver por mim mesma. Sem depender de mais nada. Medo de perder aquilo que me importa, somente isso, medo.
E chateação, uma chateação tão grande , um peso tão grande no meu peito, que me falta o ar, me falta vontade de lutar, e eu vou ficando assim, sem cor, sem risos, um robô preso a cama. Presa a todos os meus conceitos que estão sendo tão contestado ultimamente. Não sei como agir, não sei como seguir, não sei nem se eu quero seguir mesmo. Só sei que estou aqui, olhando para esse texto e pensando no quão sem sentido ele é, mas necessário ao mesmo tempo, como um alento, um vazão para o que sinto, para não me afogar.
Essa sensação de um vazio que transborda, machuca cada pontinho da minha alma e eu me perco em mim mesma e não me encontro mais. Continuo gritando em silêncio e ninguém nota, é um topor tão grande que me abate que eu não sei nem como reagir, só ser empurrada  pela a rotina, até que ela me esmague e não sobre nada de mim, só o vazio de sempre.

Ass: R.T