domingo, 21 de agosto de 2016

Algo novo

Sabe a sensação de algo novo?
Sabe a sensação de amar de novo?
Do começo de paixão?
Do início de frios na barriga?
Eu amo isso
Amo demais, porque fazia tanto tempo que eu não me sentia tão viva.
E eu amo demais as sensações que ele me trás.
Amo as brincadeiras
Amo a vontade de rir que me da sempre com ele
Amo a felicidade que me trás
E eu não quero que isso acabe.  Nunca.

Sabe por que?
Por que sinto que meus pés flutuam ,
E levo horas escolhendo a roupa de manhã
E cara, a expectativa de todos os dias me faz vibrar.
Eu amo isso.

E eu não quero que acabe nunca.

Ass: R.T

Confusão

É que eu sou toda confusa. Já não sei mais o que sinto.
O que é amar?
O que é gostar?
Eu não sei.
Está tudo um bolo na minha mente ultimamente.
Lembranças que eu julgava ter esquecido voltaram a brilhar na minha mente com muita força.
O número vinte e oito esta escrito com tanta força na minha mente que é possível visualiza lo em qualquer lugar...
E ao mesmo tempo eu me pego rindo e sorrindo para o celular e para lembranças aleatórias.
O que está acontecendo? É possível dividir o coração em dois?

Ass: R.T

Caderno

Relendo um caderno antigo, revi frases escritas por uma garota desamparada. Que só sabia chorar.
Revi frases e textos de 29/11/2014, e vi que algumas lembranças são difíceis de matar mesmo.
Quanto mais leio esse caderno, mais lembranças me brotam, e a mesma dor está ali constante, e eu me pergunto se isso é normal, se é normal um sentimento permanecer o mesmo..
O bom é que ele está se esvaindo aos poucos, e lendo este caderno eu me pergunto, será que algum dia vou ser capaz de le lo sem vontade de chorar? Sem imaginar tudo que eu perdi ou nunca tive?
E eu sou assim... presa a coisas que eu pensei esquecer.
Presa há um passado que eu não quero lembrar com dor.
E está tudo acabando e eu sei que está, e mesmo assim... mesmo assim eu não consigo apagar isso de mim.
E porque?
Não sei. Não sei porque me marcou com tanta força.

Só espero um dia poder abrir este caderno de novo sem sentir essa dor tão incomoda.

Ass: R.T

Difícil de fingir que não existiu

Ainda sinto teu cheiro, escuto sua respiração e tenho a doce sensação de entrar no paraíso com o toque dos seus lábios nos meus.

Assim: R.T

domingo, 7 de agosto de 2016

Menina estrela

Relatos de uma menina estrela:

" É que sempre foi assim aqui em casa. Sempre teve disso. Era normal. Quando eu era criança, não, minto, acho que até semana passada eu culpuva a bebida. Só acontecia quando ele tava bêbado. Acho que nunca vi ele bater nela sóbrio. Não até hoje. É que é difícil. Mesmo, um caco, ele é meu pai.
E eu digo meu pai, com amor e ódio ao mesmo tempo. Por que ele é um bom pai. Tem aqueles defeitos que todo mundo conhece, aqueles problemas e td, e claro tem a bebida, mas ele é meu pai. Ele me ensinou a andar de bicicleta, e me ensinou a gostar de livros, ele me ensinou a cuidar dos meus irmãos. Ele é meu pai. Mas ele n maneira na mão. Nunca maneirou.
Como eu disse eu culpava a bebida, sempre cuipei. Mas eu estava errada. Não é a bebida que motiva a surra, é a irá. É raiva. É o poder fazer isso. E é nesses momentos que eu o odeio.
Por que ele bateu nela. De novo. Começou com uma discussão idiota, meio sem noção. Estava tudo ótimo a semanas, tudo maravilhoso. Até agora. Até eles começarem a gritar, eu já fico toda alerta né, tremendo. Com medo do que vai acontecer. Ainda n sei o que é pior, de verdade, a surra física, ou a falada. Não sei o que é ruim.
Mas ele sabe. Que nem um touro bravo, bota medo em todo mundo, assusta todo mundo. Da aquele pavor sabe? Minha irmã ja corre pro quarto e começa a chorar em desespero. Tadinha tão pequena, não sabe o q fazer. Eu vou pra cima, eu grito, eu seguro, eu choro, eu me machuco. Meu irmão também. É humilhante ter medo do próprio pai, e dói muito. Mesmo. Pq eu o amo. Apesar de td. Amo mesmo.
Mas ele vem com toda a força, e empurra e grita " me respeita", mas eu te pergunto, respeito se consegue com medo? É assim que se conquista alguém? Assustando? Eu não sei. Não acho que deveria ser assim. Ahh mas ele acha que sim, e se joga em cima da minha mãe,e segura o cabelo dela. E eu grito:
"Para vc prometeu q não faria mais" mas diz ai, quando que o agressor cumpre sua promessa?
E eu grito de novo " e se fosse eu? E se um homem fizesse isso comigo?" E ele nem liga. A furia cegando seus sentidos. Meu irmão também grita. Tb chora. Tb puxa. E minha mãe fica lá. Indefesa, chorando, desesperada. E meu coração corta, pq porra! São meus pais. Não era pra ser assim. Não era.
Mas ele continua, e então fazemos ele soltar dela. Ai a vítima sou eu. " Vc quer me bater menina estrela? Bate! Bate na minha cara! Bate! " Mas quem vem me bater é ele, n chega a levantar a mao. Só empurra. Acho q a consciência de pai pesa para ele.. até quando eu não sei.
" Cresce desse jeito sua lazarenta. Cresce assim folgada. Feminista folga q vai sofrer a vida toda!" E eu finjo nao ouvir, pq logo depois ele destila mais algumas ofensas para minha mae. E meu foco é ela. Que chora. Q puxa os filhos pra trás dela. Que fica tentando me proteger. Enquanto eu tento fazer ela entender " mãe. Vc precisa de proteção, não eu".
Ai mais meia hora de terror ele desce. Fica na sala. La. Pensando ou falando sei la o que. E minha ta jogada na cama. Chorando. E eu sei que ela não é fácil, sei que muita coisa q ela fala machuca, sei q ela tb n é santa, n é inocente, mas será q isso vale a surra? Será que isso vale a dor de apanhar de uma pessoa que só deveria te dar amor?
E não da pra mim chegar em uma amiga e simplesmente falar "caralho meu pai socou minha mãe", eu n posso. Sabe pq? Pq minha família é perfeitinha. Eu tenho de td de certa forma. E meu pai, bom ele é maravilhoso quando quer. Eu n quero q as pessoas o vejam como um monstro, pq pra mim ele n é. É complicado isso de família.
E eu, menina estrela, ainda me pergunto como uma pessoa maravilhosa como ele. Q tem dó de bichinho na rua, q le histórias para oa filhos na hora de dormir, que compra td q precisamos. Q sabe? Consegue ser tão sensível. Se transforma de uma hora para a outra?
Agora ele tá la em baixo. Sofrendo. Remoendo o q fez e se perguntando se exagerou. Eu vi o pânico no rosto da minha irmã. Eu vi o desespero no do meu irmão. Eu vi o meu próprio medo refletido nos olhos da minha mãe e digo " é cara, vc exagerou".
E mais tarde ele sobe todo arrependido. Chorando, pedindo perdão. E eu te pergunto quantas mais desculpas são necessárias para uma tragédia de verdade acontecer? Eu tenho medo. Mais por ela do q por mim.
E ela tá lá. Na cama. Sem saber o q fazer. Pra onde q ela vai agora? Família dela n existe mais aqui. Tem três filhos. N da pra deixar pra tras.
Sabe essa realidade minha? É a de muita gente.  Casar? Bom eu as vezes até fantasioso, mas td vez q eu vejo isso eu sei q jamais vou conseguir. N confio em homem algum. E nunca vou confiar. Pq eu tenho medo. Medo de verdade de ficar presa como a minha mãe.
E de certa forma como meu pai tb.

E eu os pergunto... quem vai me socorrer?

Menina estrela.

Ass: Rafaela Maciel

R.T